Para a coordenação
Delphi no ENAMED: como se escolhe o que a prova avalia
Entenda o Delphi no ENAMED, o significado dos 80% de concordância e como a relação entre competência e instrumento orienta a avaliação na sua faculdade.
Por Dr. Vinícius Côgo DestefaniCRM-SP 158.541 · RQE 108.337
Publicado em 12 de setembro de 2026
- ENAMED
- Manual do Inep
- Gestão da avaliação
Ficha técnica
- Editoria
- Para a coordenação
- Autor
- Dr. Vinícius Côgo DestefaniCRM-SP 158.541 · RQE 108.337
- Publicação
- 12 de setembro de 2026
- Leitura
- 5 min
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Neste artigo
O Delphi no ENAMED aparece no manual do Inep como o procedimento de consenso usado para associar competências aos instrumentos capazes de avaliá-las. O documento informa concordância mínima de 80% dos especialistas e explica que a prova teórica focaliza competências aferíveis por itens objetivos. Esse percentual diz respeito ao consenso sobre a avaliação, não ao desempenho exigido do estudante. Manual do Inep, página 7.
Para coordenadores e NDEs, a principal contribuição é a pergunta que antecede a escolha da prova: que evidência permite sustentar uma conclusão sobre determinada competência? A resposta precisa orientar o instrumento, a tarefa proposta e a forma de interpretar o resultado.
Qual decisão o Delphi ajuda a tomar?
A Matriz de Referência Comum apresenta 15 competências para a avaliação da formação médica. O manual distingue essa referência ampla da matriz de avaliação da prova teórica, que apresenta 12 competências. A associação entre competência e instrumento é a decisão para a qual o documento descreve o consenso por Delphi modificado.
O objeto do consenso, portanto, não é a resposta correta de uma questão isolada nem a nota de um participante. É a adequação do instrumento para aferir a competência. Conhecer a norma ética pertinente a uma situação e demonstrar uma interação profissional em tempo real são evidências relacionadas, mas obtidas por tarefas diferentes.
O guia das 12 competências da prova teórica do ENAMED ajuda a localizar essa camada da matriz. Para a gestão, a lista é um ponto de partida para examinar a cobertura de uma avaliação cognitiva, sem reduzir o currículo a ela.
O que significam os 80% de concordância?
No contexto descrito pelo manual, os 80% são o patamar mínimo de concordância exigido entre especialistas no procedimento de consenso. Não significam que o aluno precise acertar 80% da prova. Tampouco são taxa de confiabilidade, precisão de previsão, cobertura de um banco comercial ou índice de qualidade de uma faculdade.
O documento não apresenta, nessa seção, o número de especialistas, o detalhamento de todas as rodadas nem a votação individual por competência. Esses dados não devem ser preenchidos com uma descrição genérica de como outros estudos Delphi costumam funcionar.
Uma comunicação institucional fiel pode afirmar que a escolha foi fundamentada em consenso, com o limiar informado. Para reproduzir o procedimento em uma pesquisa própria, porém, será necessário definir e documentar protocolo, participantes, critérios e tratamento das divergências. O manual não certifica automaticamente um processo local chamado Delphi.
Por que escolher o instrumento antes de escrever os itens?
Quando uma prova é construída apenas pela reunião de questões disponíveis, a instituição pode terminar com um instrumento que mede o que foi mais fácil escrever. A relação entre competência e evidência desejada fica implícita, dificultando saber o que um resultado satisfatório realmente demonstra.
Uma alternativa é registrar primeiro a conclusão que a avaliação pretende sustentar. Se a finalidade é verificar a interpretação de informação clínica, uma questão pode ser adequada. Se a finalidade é observar a execução de uma habilidade, será necessário discutir uma tarefa que torne essa execução visível.
O manual distingue três domínios de aprendizagem: cognitivo, psicomotor e comportamental ou afetivo. A prova teórica é dirigida principalmente ao primeiro. Essa delimitação fundamenta uma decisão de desenho avaliativo, sem declarar os demais domínios menos importantes. Veja a discussão sobre o que a prova teórica consegue avaliar.
Como aplicar essa lógica na revisão das avaliações do curso?
A tabela abaixo é uma proposta de trabalho da equipe editorial para a instituição. Ela não reproduz um protocolo oficial do Inep nem estabelece uma exigência regulatória adicional.
| Etapa de análise | Pergunta da equipe docente | Registro esperado |
|---|---|---|
| Delimitar a competência | Qual capacidade queremos examinar nesta atividade? | Nome da competência e finalidade da avaliação |
| Definir a evidência | O que o estudante precisa produzir ou demonstrar? | Resposta, justificativa, ação observada ou produto |
| Escolher a tarefa | O instrumento torna essa evidência acessível? | Justificativa da escolha do instrumento |
| Examinar limites | O que continuará sem ser observado? | Limites da interpretação do resultado |
| Rever decisões | Qual evidência motivaria uma mudança no instrumento? | Critério de revisão e responsável pelo acompanhamento |
O exercício deve ser realizado sobre avaliações concretas. É mais produtivo examinar uma tarefa, seu comando e seu critério de correção do que declarar, de forma ampla, que toda disciplina avalia todas as competências.
Considere também a qualidade da evidência produzida. Uma resposta correta isolada pode ser útil para uma decisão pontual, mas não descreve, sozinha, a consistência do desempenho do estudante em diferentes situações. Quanto mais ampla a conclusão pretendida, maior a necessidade de fontes de observação coerentes com ela.
Como evitar consenso apenas aparente?
Concordar com o nome de uma competência não basta para assegurar que todos os docentes entendem a mesma coisa. Um grupo pode usar a expressão “raciocínio clínico” para tarefas muito diferentes: reconhecer um dado, integrar informações ou decidir a próxima ação. Exemplos de tarefas e justificativas ajudam a tornar essas diferenças explícitas.
Outra preocupação é preservar as razões da decisão. Se a instituição registra apenas que a proposta foi aprovada, perde a oportunidade de revisar posteriormente os limites identificados. Um registro útil mostra por que o instrumento foi escolhido e quais conclusões ele não sustenta.
A mesma disciplina de análise vale para competências como incorporação de tecnologias. Saber reconhecer um risco em uma questão é uma evidência específica; operar uma ferramenta com segurança em um serviço é outra. A avaliação precisa nomear qual delas está sendo produzida.
Como essa escolha se relaciona com a elaboração da prova?
A seleção do que pode ser avaliado antecede a encomenda e a montagem de itens. No fluxo descrito pelo manual, a CAAFM traduz a matriz em encomendas por área, competência e cenário, e outros participantes cumprem funções de elaboração, revisão e análise. Manual do Inep, página 8.
São decisões articuladas, mas distintas. Para conhecer as responsabilidades, consulte quem elabora a prova do ENAMED. Na sua instituição, a oportunidade é construir avaliações cuja interpretação seja proporcional à evidência obtida. Conheça a SPR Med.
Perguntas frequentes
O Delphi define a nota de corte do ENAMED?
No trecho do manual sobre a matriz de avaliação, o Delphi modificado é associado à escolha do instrumento adequado à competência. A definição do padrão de desempenho e da nota de corte é descrita em outra etapa, com o método Angoff modificado.
Os 80% são uma exigência para aprovação do estudante?
Não. São a concordância mínima dos especialistas no procedimento descrito. A escala final do Enamed utiliza 60,0 como início do nível Proficiente para os participantes aos quais essa classificação se aplica.
A faculdade precisa copiar um protocolo Delphi para toda prova?
O manual não estabelece essa obrigação. A aplicação institucional sugerida neste artigo é explicitar a relação entre competência, tarefa, evidência e interpretação do resultado.
O consenso elimina a necessidade de revisar os instrumentos?
Não. A justificativa inicial precisa ser confrontada com o funcionamento da avaliação e com a utilidade das evidências produzidas. O nome do método, por si só, não resolve todas as questões de validade de uma avaliação local.