Pular para o conteúdo
SPR Med
PainelEntrar na plataforma

Para a coordenação

Elaboração de itens de Medicina: da especificação à revisão

Veja como organizar a elaboração de itens de Medicina: competência principal, situação-problema, alternativas, revisão e análise após a aplicação da prova.

Por Dr. Vinícius Côgo DestefaniCRM-SP 158.541 · RQE 108.337

Publicado em 14 de julho de 2026Revisado em 12 de setembro de 2026

  • ENAMED
  • Manual Inep
  • Avaliação médica
Ficha técnica
Autor
Dr. Vinícius Côgo DestefaniCRM-SP 158.541 · RQE 108.337
Publicação
14 de julho de 2026
Revisão
12 de setembro de 2026
Leitura
6 min
Versão em texto
Abrir em Markdown
Neste artigo

A elaboração de itens para um banco de questões de Medicina começa pela definição do que se quer avaliar. O manual do ENAMED descreve itens construídos a partir de casos clínicos ou situações-problema, com revisão técnica e pedagógica e uma competência principal como foco de avaliação, mesmo quando o caso mobiliza outras competências. Para uma faculdade, esse processo oferece uma referência para organizar a produção docente e documentar a qualidade das avaliações internas. Fonte: manual do Inep, páginas 8 e 9.

O processo de uma instituição precisa ser identificado como seu próprio processo. O fluxo oficial envolve encomendas, oficinas, comissões, um banco sigiloso e montagem em ambiente seguro do Inep. Adotar princípios de organização semelhantes não torna o banco interno parte do Banco Nacional de Itens nem demonstra que suas notas equivalem às do ENAMED.

O que deve ser definido antes de escrever a questão?

A especificação deve informar a competência principal, a área de formação, o contexto de cuidado e os conteúdos necessários para resolver a situação. A Matriz de Referência Comum reúne cinco componentes: perfil do egresso, competências, áreas de formação, contextos e conteúdos. O manual apresenta 15 competências na matriz comum e 12 na matriz de avaliação da prova teórica. Essa diferença evita cobrar, por um item objetivo, uma habilidade que exigiria observação prática. Fonte: manual, páginas 5 a 7.

Um formulário interno pode começar por uma frase curta: “Ao responder este item, o estudante deverá demonstrar que consegue...”. Se a frase reúne muitas decisões independentes, a equipe precisa escolher qual delas será a principal. Uma questão pode envolver ética, comunicação e decisão clínica sem medir com a mesma precisão cada uma dessas capacidades.

Campo da especificação Pergunta que orienta o elaborador
Competência principal Qual decisão ou raciocínio a resposta correta permite observar?
Área de formação Em qual área da matriz a situação se situa?
Contexto Em que ponto da rede e sob quais condições o cuidado acontece?
Conteúdo Que conhecimento é necessário para resolver o problema?
Evidência esperada O que distingue uma resposta fundamentada de uma resposta inadequada?
Referência técnica Qual fonte atual sustenta o gabarito e as justificativas?

Essa tabela é uma proposta operacional para a instituição. Ela não é um formulário obrigatório publicado pelo Inep. A distinção entre eixos oficiais e dimensões operacionais também vale para classificações internas de nível cognitivo, dificuldade prevista e etiquetas da Matriz Pedagógica 7D da SPR Med.

Como transformar a especificação em uma situação-problema?

O caso deve oferecer as informações necessárias para uma decisão identificável. O contexto tem função: disponibilidade de recursos, nível de atenção, características da pessoa e etapa do cuidado podem mudar o raciocínio esperado. Acrescentar uma história extensa a uma pergunta factual não assegura que o item avalie aplicação do conhecimento.

Como exemplo de planejamento editorial, a equipe pode querer avaliar registro clínico adequado. Antes de inventar uma doença ou um exame, deve decidir se a tarefa será reconhecer informação ausente, identificar a finalidade de um documento ou selecionar uma forma de registro compatível com a situação. A referência técnica precisa ser conferida antes da redação das alternativas. Esse exemplo descreve uma tarefa de avaliação, não uma orientação sobre emissão de documentos médicos.

Um comando claro evita que o estudante tenha de adivinhar a intenção do professor. Depois da redação, o revisor deve conseguir explicar qual informação do caso sustenta a resposta e por que as demais opções não resolvem o problema apresentado. Se isso depende de pressupostos não informados, o item precisa voltar à elaboração.

Como revisar alternativas e gabarito?

O caderno do ENAMED tem quatro alternativas e uma única resposta correta, segundo o manual. A faculdade que quiser reproduzir esse formato em um simulado deve verificar essa característica em cada item, junto da consistência entre caso, comando e opções. Ter quatro alternativas, por si só, não demonstra qualidade de medida. Fonte: manual, página 9.

A revisão deve procurar mais de uma resposta defensável, alternativas incompatíveis com as informações do caso e pistas que permitam resolver a questão sem mobilizar a competência desejada. Também precisa conferir se a fonte citada sustenta a conduta para a população e o contexto apresentados, em vez de apenas mencionar o tema.

Revisão independente e discussão de divergências cumprem funções diferentes. Primeiro é útil registrar o julgamento de cada revisor; depois, resolver a divergência e documentar a decisão. Isso permite distinguir consenso final de concordância inicial. O guia de concordância entre revisores aprofunda essa diferença.

O que só fica conhecido depois das respostas dos estudantes?

Antes da aplicação, especialistas podem julgar clareza, pertinência e dificuldade esperada. Depois da aplicação, surgem dados sobre acertos, escolhas das alternativas e comportamento do item no conjunto da prova. As duas etapas se complementam; uma revisão bem documentada não substitui a análise das respostas.

No fluxo oficial do ENAMED, o manual descreve a calibração após a aplicação e a triagem por coerência com o conjunto da prova, dificuldade e ajuste ao modelo. A exclusão de um item leva a novo cálculo antes da próxima decisão. Isso não autoriza afirmar que todo item oficial foi previamente calibrado em um pré-teste, nem que todo banco interno deve usar exatamente a mesma operação estatística. Fonte: manual, páginas 12 e 13.

Para uma faculdade, uma aplicação piloto pode integrar o desenvolvimento dos itens, conforme finalidade e condições institucionais. Caso seja realizada, deve ter participantes, objetivo e uso das respostas definidos. Itens novos podem ser úteis à avaliação formativa, mas não devem receber uma dificuldade empírica inventada nem ser apresentados como equivalentes a itens calibrados sem evidência.

Como manter um banco utilizável ao longo do tempo?

O banco precisa conservar versões, fontes, revisões e histórico de aplicação. Uma correção do enunciado ou do gabarito pode mudar o que o item mede. Por isso, análises produzidas para uma versão não devem ser transferidas automaticamente à versão seguinte.

Situação observada Encaminhamento interno possível
Fonte técnica superada Revisar conteúdo e suspender uso até a conferência
Duas opções defensáveis Reescrever comando ou alternativas e revisar novamente
Alternativa quase nunca escolhida Investigar plausibilidade e perfil dos respondentes
Muitas respostas inesperadas Investigar conteúdo, aplicação e propriedades do item
Questão já muito conhecida pela turma Registrar exposição e avaliar seu efeito na finalidade da prova

Esses encaminhamentos são propostas de gestão. O manual não estabelece uma exigência geral de “100% de itens inéditos” em toda aplicação. A exposição prévia merece controle, especialmente em comparações de desempenho, mas não deve ser convertida em uma regra oficial que a fonte não apresenta.

O próximo passo da coordenação é combinar um formulário de especificação, responsáveis pela revisão e critérios de retorno dos itens ao banco. A montagem de provas alinhadas à matriz começa quando esse acervo passa a ser selecionado segundo uma finalidade e uma tabela de especificação. Para discutir essa organização no contexto da sua instituição, converse com a equipe SPR Med.

Perguntas frequentes

Um item pode avaliar mais de uma competência?

O caso pode mobilizar mais de uma competência. O manual determina que o foco principal avaliado seja uma única competência, para preservar a clareza do que se pretende medir.

As sete dimensões da SPR Med são exigidas pela Portaria 478/2025?

Não. A matriz oficial possui cinco componentes. Classificações adicionais podem organizar o trabalho interno, mas devem ser identificadas como escolhas operacionais.

O manual exige que todos os itens sejam pré-testados antes do ENAMED?

O fluxo apresentado não estabelece essa exigência geral. Ele descreve elaboração, revisões, armazenamento, montagem e análise psicométrica depois da aplicação.

Um item bem revisado já pode ser chamado de calibrado?

Revisão técnica e calibração empírica são etapas diferentes. A calibração depende de respostas, modelo, procedimentos e condições que precisam ser documentados.

Compartilhar

Próximo passo

Converse com quem construiu o SPR Med.

Para coordenação, direção e NDE: como o SPR Med mede cada turma na régua do INEP e mostra à gestão, semanas antes da prova, onde o curso está.

Ver o Dossiê ENAMED

O Dossiê ENAMED 2026 é gratuito: todas as questões da prova lidas por área, competência, contexto e decisão, pares de questões em confronto e o caminho da resposta ao conceito.

Mais desta editoria

Para a coordenação

Acessibilidade em avaliações digitais de Medicina

Veja um roteiro preenchido para testar teclado, foco, leitura, imagens e tempo em avaliações digitais de Medicina e registrar os ajustes antes da prova.

Dr. Matheus Ferreira · 19 out 2026 · 7 min

Para a coordenação

Exposição e reutilização de itens em provas de Medicina

Decida quando reutilizar, revisar ou reservar questões de Medicina. Veja um registro preenchido e os limites da comparação entre duas aplicações da prova.

Dr. Vinícius Côgo Destefani · 19 out 2026 · 7 min

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Política de Privacidade